Uma Cabeça Decepada (I. Murdoch)

Há uma ventania interessante dentro deste livro. As personagens que por ali vivem, vivem agitadas nessa imensidão de sentimentos desarrumados. Parecem folhas ao vento. Acredito que escondido por detrás das cortinas, o espírito de Freud se alastre pelas paredes, pelo chão, até pelo sofá. Sobretudo, pelo sof…

O Amor não é fome

Quando procurei o significado da palavra «fome» no dicionário, fui surpreendida com uma frase que mais me parecia um bolo atirado à parede: «necessidade urgente de alimento» . E é na palavra «urgente» que estaciono, hoje, os meus pensamentos.   Parece-me que vivemos em constante estado de urgência. Um…

A Lebre de Vatanen (A. Paasilinna)

“A Lebre de Vatanen” , de Arto Paasilinna, é um romance finlandês escrito em 1975. Nele o autor mistura, magistralmente, bons punhados de humor, sátira, o poder da natureza e, com tudo isto junto, cria um livro que nos pede uma profunda reflexão sobre liberdade.   Vataten é jornalista em Helsínquia. Nu…

o Duplo (F. Dostoievski)

Se a alma fosse um lugar, caminhos teriam de haver para lá se chegar. Então, dou comigo a perguntar, se a alma fosse feita de caminhos de terra, estradas, muitas ruas e vielas, o que faríamos nós? Sapatilhas nos pés, respiração profunda e pernas aceleradas sempre a direito ou, por outro lado, desbravaríamo…

O Vento nos Salgueiros (K. Grahame)

Publicado em 1908, “O Vento nos Salgueiros” é considerado um dos mais célebres clássicos da literatura infantil britânica. Apesar de ser especialmente indicado para a leitura das crianças, considero que os adultos, como na maioria dos livros infantis, muito poderiam beneficiar da bonita história de quatro…

O Livro Branco (H. Kang)

Releitura 8 anos depois Reabrir este livro, oito anos depois, fez surgir em mim uma imagem muito específica: a de quem entra num enorme nevão. A sensação de quem passa uma barreira e entra num mundo em que, gradualmente, tudo se tinge de um branco muito próprio. Aqui, a cor, mais do que tudo, é a persona…

Humilhados e Ofendidos (F. Dostoievski)

«Humilhados e Ofendidos» integra a fase inicial da maturação literária de Dostoievski, sendo geralmente considerado um romance de transição para o período da sua plena maturidade artística. Publicado em 1861, Dostoievski começara a escrevê-lo em 1860, após ter regressado do exílio na Sibéria (de 1849 a 1859…