Contém Spoilers
Em «Sonhos de Bunker
Hill», Arturo Bandini continua a sua saga e o sonho vincado de se tornar um
escritor famoso. Agora com 21 anos, com as experiências acumuladas e os sonhos ainda
mais inflamados pela sua ingenuidade, continuaremos a conhecer as suas
aventuras e desventuras.
De volta a Los Angeles,
depois de uma fase tão marcada por Camilla, pelo desamor e pela desesperança,
eis que o regresso ficará pautada por um novo trabalho: o de servir às mesas.
Mas a vida tem outros planos para Arturo, as luzes da ribalta parecem estar
próximas. Quis o destino, a vida na sua glória, que fosse aceite numa Editora.
Este espaço, repleto das personagens mais hilariantes e peculiares, afirmam-se
quase como uma continuidade do próprio jovem, sempre perdido em si mesmo e
sempre, em si mesmo, à procura de alguma coisa. À procura de uma voz.
Confirmando a tortuosidade
do seu caminho ao encontro da tão almejada fama, Arturo Bandini será levado a
Hollywood, conseguindo o dinheiro que sempre precisou, os amores cobiçados, as
aventuras inesperadas, mas o vazio permanece.
Neste livro que finda
as aventuras de Bandini, dei comigo a desenhar mentalmente um ciclo no qual
coloco o jovem bem no centro e se há palavra ou expressão que abracem esse
centro, será sempre o vazio pautado pelas feridas da infância. A
personagem mais velha, Helen, surge aqui como o ar mais limpo que ele consegue
respirar, é abraço, é apoio, é a certeza de se saber aceite tal como é. É colo.
É Mãe. É Família.
Nessa espiral
desesperada para encontrar a sua voz, de a gritar a um mundo desatento ao seu
enorme talento, o leitor, deste lado, dá consigo a refletir no quanto quereria
Bandini, realmente, aquele sonho. Poderão os sonhos assumir a função de um
penso rápido a dores muito maiores? Assim fica esta ideia, meia nebulosa, sobre
uma das personagens mais ricas, mais inquietas e solitárias alguma vez
escritas.
Uma saga inesquecível,
que vou sempre guardar em enorme estima.
Arturo Bandini, um
brinde.
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