Quando digo que prefiro os Clássicos da Literatura a tudo o resto, sinto no ar o desagrado dos outros, como se o meu gosto significasse, automaticamente, que outros géneros não prestam. Esta é a minha carta de amor aos clássicos e tal não significa, por si só, estar a falar mal ou menos bem dos outros livros. Cada um é livre de gostar do que gosta. Nota feita.
Eu prefiro os Clássicos
porque admiro e gosto de conhecer como foi a vida antes e os fios que perduram.
Há uma melancolia doce, boa, quando convoco o passado e os Clássicos abrem-me
portas a um mundo que passou, mas que ainda persevera. Um dos fascínios dos
Clássicos é mesmo esse: eles venceram a marca do tempo, continuando tão vivos
como no momento em que nasceram. Gosto da delicadeza dos diálogos, gosto da
delicadeza das personagens, com palavras cuidadas, com zelo, com parcimónia.
Gosto, acima de todas as coisas, do amor que é escrito nos livros unicamente
dedicado à verdadeira arte da escrita, à arte da literatura. Hoje, queiramos
quer não, sobretudo com base nos livros que tenho lido, vemos tendências, vemos
políticas, vemos um empurrão subtil (ou nem tanto) a colocar tudo no mesmo saco
e a dar um pontapé no traseiro ao pensamento crítico de cada um. É. Muito me
apraz o refúgio nos Clássicos da Literatura como quem tenta fugir de uma
atualidade feita «Mousse Alsa», instantânea, juntem-se os ingredientes e que
não demore muito. Ah, como isso me repele!
Não quero com isto
dizer que gostava de viver lado a lado em pleno século XIX, com a ameaça da
cólera, o papel da mulher apenas esquisso em papel vegetal. Não. Não falo
disso. Em tudo encontramos bom e mau. Falo do poder da História, do Passado que
nada mais é do que perceber o que fazia mais e menos sentido. Nem sempre a
evolução significa andar para a frente, negando o que ficou lá atrás. Pode ser
as duas coisas. Sinto que os Clássicos me confortam pelo seu grande carácter
moral, pelo sublinhado a negrito daquilo que é certo e errado.
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