Uma noite de inverno (S. Montefiore)


 © Fotografia de Denise C. Rolo

«Uma Noite de Inverno», de Simon Sebag Montefiore, é um dos livros mais bonitos e românticos que alguma vez li. Não conseguiria encontrar melhor definição como a escolhida pelo Observer: "Desesperadamente romântico. Profundamente perturbador." 


Independentemente do quadro histórico e político em se desenvolve, este é um livro sobre o amor na sua plenitude. O próprio autor o refere nas páginas finais quando nos diz: "As personagens principais deste romance - Satinov, Dashka, Serafima, Benya e Belman - foram completamente inventadas por mim. Este romance não é sobre poder, mas sim sobre a vida privada - acima de tudo, o amor." (p.481)

 

Mais do que Estaline e as suas condutas (infelizmente) tão conhecidas, bem como a política restrita daquela época, o autor teceu uma história em que o amor se torna personagem principal, bem como os laços familiares e a urgência de até onde poderá ir um filho em prol da segurança dos seus pais. Assuntos como parentalidade, amizade e, por fim, o amor maior do que todas as coisas, tecem as principais linhas de uma das histórias mais bonitas que alguém decidiu escrever.

 

O amor. É esse o tema sempre presente nas páginas de Montefiore. Ao longo do livro conhecerá personagens inesquecíveis, capazes e corajosas de amar. Acredito que concorda comigo quando digo que amar é a maior proeza da vida, um verbo onde se acumulam as agruras da vida, os imprevistos em cada esquina. Fazer-lhe frente é imperativo, mas não é para todos.

 

Personagens feitas de uma enorme resiliência, bem como a capacidade de sacrifício, definem quase na totalidade o quadro criado pelo autor. Se a política assume um importante plano, o amor - repito - prevalece sobre todas as coisas. Como pergunta, como resposta, como redenção.

 

Creio que nunca li história de amor mais bonita e são várias as que se encontram nesta história. Não se trata, apenas e só, de um casal apaixonado e todos os clichês que eventualmente poderia pensar. Não. Aqui as camadas das histórias e dos personagens, apesar de ligados entre si, demonstram uma autonomia e uma subtileza nos seus gestos incapaz de comparações.

 

Li este livro em 2019  e hoje resolvi reescrever sobre ele neste novo blogue. Foi uma das melhores leituras desse ano bonito. É também deste livro que extraio um dos excertos mais bonitos sobre o primeiro amor, sobre o primeiro beijo:

 

"Quando Frank segurou as mãos dela nas suas, ela virou-as para entrelaçar os seus dedos nos dele, e quando os apertou, ele fez o mesmo; e ambos ficaram ali parados na neve, cara a cara, dominados pela excitação de se encontrarem um ao outro. A neve acolchoara a cidade de tal modo, que eles mal conseguiam ouvir ou ver o que quer que fosse. Haviam passado horas desde que se tinham conhecido, mas a relação deles, fresca como a neve de uma noite, parecia já durar há muito, muito tempo. Ela nunca beijara ninguém. Nunca o desejara. Mas queria que ele a beijasse agora."

 

Um livro sobre o amor na Rússia de Estaline. O quadro histórico e político é igualmente e magistralmente descrito e tudo começa quando, em 1975 (Moscovo), numa ponte da cidade são encontrados os corpos sem vida de um casal de adolescentes. Daqui surgem uma infinidade de questões sobre a possibilidade de um crime, de um pacto ou de uma conspiração.

 

Está criado o enredo que envolverá o leitor de forma obsessiva, tentando encontrar respostas conclusivas sobre o que terá acontecido aqueles dois jovens, num cenário protagonizado pelas figuras históricas mais marcantes do século XX.


Leia. Leia já.


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