Gratidão (O. Sacks)


Conhecido como o “poeta iminente da medicina”, Oliver Sacks, conceituado médico, traz-nos nesta sua “Gratidão” uma homenagem à sua própria vida, tida sempre em potência e, depois, a inevitabilidade da morte.


Para mim, não há melhor forma do que pôr a vida em perspetiva quando estamos internados num Hospital. Aquele limbo que parece congelar o tempo e que o pode fraturar em apenas duas possibilidades muito claras: termos, ou não termos, uma doença grave a germinar em nós. Creio que são esses os momentos da vida que definem as pessoas: as que aceitam a inevitabilidade da vida (e da morte) como forma para se despojarem no ócio. Já que vou morrer, então estou-me pouco importando com o que virá. Mas depois, do outro lado da barricada, estão aquelas pessoas que mesmo com a iminência, ou a certeza, da proximidade da morte, mantêm as ganas de quem se sabe vivo e que, por isso mesmo, continuam a viver com igual, ou mais intensidade.


E é aí que recai toda a minha admiração por pessoas assim, por pessoas como Oliver. O tumor espalhou-se e com esse facto de, como disse “fui dos que teve azar”, o autor, dentro das forças possíveis do corpo, manteve-se firme nos dias, nas memórias e no seu maior propósito: gozar da liberdade para amar e trabalhar, bem à luz do que também Freud defendia como as duas coisas mais importantes da vida.


E não estarão ambos certos?

Gosto de acreditar que sim, independentemente do que a vida decide por nós.

Seja feliz.



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