O meu coração (C. Luyken)

© fotografia de Denise C. Rolo

Neste pequeno e belo livro, escreve-se o coração. Dizem que é um livro infantil. Talvez, por isso mesmo, deva também ele cair nas mãos dos adultos, particularmente, os distraídos. Os que deixaram nascer um rádio na cabeça, sempre sintonizado com um relógio muito apressado e uma lista interminável de coisas para fazer. Um desassossego em que não há coração que aguente.


Ninguém nega a importância das emoções e a capacidade de as reconhecer. São os Psicólogos quem tanto falam sobre literacia emocional e eu concordo plenamente. Mas, e sendo uma Psicóloga quem vos escreve, considero que as emoções ganham muito mais forma quando regadas a Poesia. Mesmo que seja a Poesia breve, a Poesia das coisas comuns, a mais derradeira, que nos provoca, que nos pede para sentir e encaixar o verbo à medida do que somos. Como um alfaiate que nos costura um coração capaz de se moldar ao nosso corpo quando está triste, encolhendo como uma ameixa seca. Ou, então, com a perícia de quem domina todas as tesouras, fazê-lo crescer no reflexo de um dia alegre, com o aroma de chocolate a voar pela casa fora.


Um coração que se molda é um coração vivo. Aqui, Corinna Luyken, com a beleza das palavras leves, que tão bem se digerem, percebemos o coração como verdadeira arte, poesia e um pouco de costura: capaz de se transformar, encolher, crescer, moldar e numa soma que tudo inclui, capaz de amar sob todas as formas e feitios.

 

“Às vezes o meu coração parte-se,

mas o que se parte tem remendo,

E um coração fechado

abre-se a qualquer momento.”

 

Belíssimo.


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